Oficinas etnobotânicas - Encontros de Mulheres em Passo de Torres e em Araranguá/SC
- Cintia Karina Elizandro

- 27 de mar. de 2017
- 2 min de leitura

O mês de março geralmente é marcado por ações voltadas às mulheres, tendo em vista a necessidade de lembrarmos que, apesar dos avanços rumo à equidade dos direitos e oportunidades referentes ao gênero, há muito o que progredir, não apenas por questões como justiça social, mas também pelos benefícios imensuráveis que poderemos desfrutar quando do acolhimento, respeito, valorização e exercício da energia feminina pela população mundial. A harmonização dessas polaridades energéticas pelos seres humanos é indispensável para conquistarmos um novo patamar evolutivo. No entanto, ainda estamos distantes de resgatar tantos saberes oprimidos ao longo dos tempos. Como nos falam Silva Júnior e Michalak (2014), no livro O Éden de Eva: "Na Idade Média ocorreu uma nefasta hecatombe de pessoas, notadamente de mulheres, consideradas bruxas por conta de conhecimentos de plantas com propriedades bioativas. Muitas dessas plantas são hoje reconhecidas pela ciência como fonte de moléculas com propriedades terapêuticas comprovadas e amplamente utilizadas na medicina."
Compreendendo a consequência dessa anulação sistemática em relação aos saberes associados ao feminino, e também conscientes da imposição, principalmente às mulheres, de padrões físicos que servem como ferramentas de escravidão por se refletirem nos diversos níveis de manifestação do indivíduo, como o emocional, mental, econômico e energético, construímos uma atividade voltada ao resgate de saberes tradicionais das mulheres na utilização de plantas e outros elementos naturais para fins de cosmética e higiene, bem como à construção coletiva do real conceito de beleza. Para a celebração desse espaço/momento, trouxemos para nossa atividade a poderosa intervenção das danças circulares, para fortalecimento dos grupos.

Realizamos duas oficinas neste mês de março, uma com agricultoras do município de Passo de Torres e outra com agricultoras do município de Araranguá, nos dias 14 e 16 respectivamente.
Um dos pontos a destacar desses encontros, é que na descrição sobre a utilização de produtos naturais aplicados para fins cosméticos e de higiene feita no passado em relação a feita atualmente pelas participantes, notavelmente se percebe uma perda de aplicação desses conhecimentos, o que pode resultar na perda do próprio conhecimento para a próxima geração.

Além da troca de informações, também ocorreu a reativação da memória no tocante aos conhecimentos armazenados, mas relegados ao esquecimento, devido à desvalorização do que é natural em comparação aos produtos industrializados. Para estimular essa memória foi utilizada consulta à livros, confecção de produtos como tônicos naturais, água de arroz, desodorantes, óleos com ervas, entre outros. Ainda suavizamos nossas peles e harmonizamos nossas tensões com a aplicação de argilas, água de arroz e óleo de coco. Muito divertido e com resultados visíveis, tanto a nível físico quanto para o bom humor.

As oficinas foram planejadas e aplicadas pela bióloga Cíntia Karina Elizandro, com a colaboração do também biólogo Édison Luiz da Silva e contratadas pelos engenheiros agrônomos Robson D'Ávila Crescêncio (Passo de Torres) e Israel Moreira (Araranguá), técnicos da UNEAGRO/SC, para execução de ações no âmbito do Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco - MDA, através da Chamada Pública 006/13.
As agricultores participantes das duas oficinas foram colaboradoras ativas e fundamentais para o sucesso e significação da atividade proposta. Parabéns a todas!!!

REFERÊNCIAS
SILVA JUNIOR, A.A.; MICHALAK, E. O Éden de Eva. Florianópolis: Epagri, 2014,227p.
Disponível para baixar em: http://intranetdoc.epagri.sc.gov.br/website/livro_o_eden_de_eva.pdf




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